
Responder perguntas é fácil. Difícil é ensinar a conviver com as dúvidas, forjar a vida a partir das incertezas, das inconclusões e reticências, permitindo que o mistério sobreviva às constantes invasões da racionalidade, no horizonte de tantas realidades que não são desdobráveis, possíveis de serem dissecadas.
Viver pra responder cansa. Há muito, ando lutando para abandonar esse espírito de onipotência que tomou conta de mim. Sinto-me na obrigação de dar respostas para tudo. Não sei dizer que não sei, preciso admitir minhas fraquezas e parar de querer ser mais forte do que sou, a ausência de respostas pra tudo que me acontece me deixa triste e me sinto pequena, tenho que parar com isso, não existe resposta pra tudo, pelo menos no tempo que desejamos não, elas vêm com o amadurecer das coisas, tem seu momento certo, uma resposta na hora errada pode levar a mais perguntas...
A dor gera perguntas, a alegria não.
"Há fatos que se dão no agora da vida e que só poderão ser entendidos, depois de passado um determinado tempo... "
Respostas não caem do céu, elas são geradas de acordo com o que se vive, com o que se realiza. É vivendo e aprendendo, uma frase tão banal e tão certa! Viver é maturar, é amadurecer, é superar horizontes, acolher novas possibilidades e descobrir respostas onde não imaginávamos encontrar.
Conviver com dúvidas requer maturidade, e isso não é aprendizado que se dá da noite para o dia. A dúvida de hoje pode ser a certeza de amanhã.
Então só por hoje quero dormir sem perguntas em minha mente, sem a procura por respostas, dormir em paz, a paz de quem tudo resolveu, de quem tudo viveu pelo menos o que tinha de se viver!
Até amanhã!
