O que faz doer nem sempre tem causa aparente. Dor é um acontecimento sem datas. Prolonga-se no tempo e contraria todas as regras dos argumentos . Eu não sei o que dói. Eu não sei quando começou doer. O que sei é que a dor é a identificação mais profunda da condição humana. Dela é que nasce a expressão do cuidado. A dor sinaliza que algo precisa ser curado, que algo carece de presença, olhar atento e esforço redobrado. Dores são diversas. São físicas, emocionais, psíquicas. Dores de toda hora, de vez em quando, ao cair da tarde, com o chegar das primeiras estrelas ou com os primeiros raios de sol. Dores não conhecem o tempo. Chegam quando querem. Elas se acomodam nos cantos da alma, nos centros das carnes e ficam. Os que já sofreram muitas dores como eu, aprenderam a lidar com elas...Elas amadurecem e nos tornam frios e racionais demais, mas isso também doi. Dores criam esquinas inesperadas.
É quase uma tristeza. É um jeito de querer o que não tem nome, é uma posse antecipada do que ainda não é real. Eu não sei. E não saber faz com que a dor se misture numa outra porção de sentimento, tornando o momento ainda mais instigante.Acho que sofro por não saber. Acho que sofro por saber o que não quero saber. Estranho, não é mesmo? Querer é tão doido! Querer e não saber o que se quer.
Hoje eu acho que queria um colo de mãe. Talvez seja isso. Chorar mansinho pelas mesmas causas que as crianças. Chorar sem culpa, sem explicações. Voltar a ser menina e pedir que os outros decidam por mim o que me fará bem. Eu não quero muito nesse dia. Queria apenas um amanhecer sem os ruídos da maturidade. Um colo de amigo, um cheiro de infância, um quadro na parede e uma fala serena dizendo-me: o almoço já está quase pronto, minha filha!Só isso!
Quanta nostalgia para um início de ano meu DEUS!
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